13 de abril de 2006
vísceras
de animais abandonadas, no passeio, em frente ao cabeleireiro altamente XPTO onde a minha dama me obrigou a ir fazer uma marcação (tenho impressão de que as tesouradas das amigas têm os dias contados). Afinal, estamos no Meatpacking District - onde o estilo ombreia com a carne, ainda que esta já não esteja à esquina como nos good old days em que o bairro era a imagem da decadência novaiorquina (e só havia carne, sem estilo). À boa maneira cá da terra, o salão estava overstaffed, quer dizer, seis moças ao balcão a sorrir para mim, enquanto três paneleiros, perdão, jovens com glamour, me perguntavam, um de cada vez, se estava bem e se precisava de ajuda (no fim esqueceram-se de me explicar o que é que me iam fazer). De qualquer maneira, a cavalo dado não se olha o dente, e como o corte é à borla ficou marcado para Agosto. Até lá tenho tempo de ir às amigas (com boas intenções, não vá a búlgara arranjar um tradutor de português) e de deixar a dica às bloggers luso-novaiorquinas que queiram entrar no estilo meatpacking sem gastar um tusto: experimentem.
posto pelo Alexandre às 05:34 0 comentários
paraíso
dos putos: o camião dos gelados. Outra lenda americana, agora que chegou o calor. Todos os dias passa na nossa zona, uma carroça a cair de podre chamada "Mr. Softy" com a mesma música tocada a partir da mesma cassete já frita de tanto rodar. Na Nova Iorque de hoje em dia, na zona mais glam da cidade, la-la-la-la-lalalala-la-lala-lala, nem os sinos gravados nas igrejas das aldeias em Portugal soam tão a cana rachada. E depois, quando ia tirar uma foto ao "Mr. Softy" para pôr aqui, o gajo (ao mesmo tempo que servia umas criancinhas inocentes) entrou em delírio: "No photos!! You don't even know me!!! Are you crazy?!?!?!". Mr. Softy o cuaralho...
posto pelo Alexandre às 05:24 1 comentários
12 de abril de 2006
comer
O meu restaurante preferido é a Taqueria California. Um tasco ao pé de casa, literalmente um corredor com uma casa de banho manhosa atrás, uma jukebox que só passa reggaeton e los tigres del norte, e a televisão com talk-shows portoriquenhos sempre a bombar. Nas paredes, uns posters igualmente duvidosos, um deles com um carro americano, um gajo musculoso agarrado a uma gaja e a frase "Orgullo Azteca". Mas a comida mexicana é do melhor, baratíssima (come-se por 5 dólares) e o serviço impecável - é como estar em casa. Toda a gente é do mais simpático possível, com um sorriso honesto e tudo feito nas calmas, como deve ser - a comida chega logo, não a conta. Isto descobri que é impagável em Nova Iorque.
Há uma semana, como prenda de anos de mim para mim, fui jantar a um dos sítios da moda (ou já foi?), a Lever House, nesse mesmo edifício icónico de Nova Iorque, o Seagram em alumínio e vidro verde (é mesmo em frente). Nada de mais diferente. É preciso reservar e dar o nome a uma fúfia com sotaque francês. Quando se chega, dão-nos o lugar mais ranhoso, ao lado da caixa registadora, fruto do nome plebeu. Mas pronto, o espaço é incrível - é como jantar numa nave espacial. Entretanto, tentamos chamar a waitress, mas ela ignora-nos. Logo chega um gajo engravatado, desculpe, posso ajudá-lo? e a seguir - queria alguma coisa e ela não fez? tipo: esta vaca está aqui está na rua, se o senhor quiser. Depois, a minha bela companhia vai à casa de banho e lá está o personagem número três, desta vez uma mulher. As casas de banho são uma fila de portas sem identidade, num corredor escuríssimo. A mulher, aqui, acompanha o cliente à porta e diz-lhe: por favor tranque a porta. Mas não faz mais nada, rigorosamente. Ou seja, quando a jovem ia entrar, estava um senhor a mijar lá dentro. Please lock the door, sir.
No fim (a comida era boa, diga-se) trouxeram-me a conta sem lhes ter pedido nada. Olhei para a gaja com ar de carneiro mal morto, e ela - Ai quer café? desculpe. Vaca, levou a conta de volta e tornou a trazer. Nem vale a pena dizer quanto, mas uns bons dias de trabalho ficaram ali enterrados naquela noite.
O que vale é que quando cheguei de Washington, no dia dos meus anos à noite, a Taqueria estava aberta.
posto pelo Alexandre às 05:49 2 comentários
8 de abril de 2006
aos bloggers portugueses no estrángeiro
(e ao Pacheco Pereira),
Se quiserem ter acentos e cedilhas nos teclados merdosos que abundam por esse mundo fora (digo isto porque o teclado português permite escrever em todas as línguas), vão a este link.
isto é, se tiverem Windows, que também não é grande sistema (e viva a Apple que vai juntar os dois sistemas num só computador).
Eu quando posto do trabalho já decorei que [alt]+135 dá cedilha, e [alt]+250 um ponto de divisão.
posto pelo Alexandre às 02:26 1 comentários
7 de abril de 2006
6 de abril de 2006
3 estereotipos novaiorquinos
[devido 'a estranha ausencia dos responsaveis, nao ha' nada para fazer a nao ser escrever - bom...]
o rapaz de chelsea: imberbe, saltitante e gay, bem vestido e cheiroso, parece incrivelmente jovem, todo maquilhado e botoxizado. Gosta de dançar em cima das mesas e lentamente despir as calças, enquanto faz olhinhos aos seus companheiros mais masculos (estes chamados de "homos", um termo muito mais viril). Curiosamente, desloca-se em manada. Os seus membros, no Verao, gostam de adoptar um vestuario muito apropriado 'a estaçao: quase nada.
a modelo anoretica: loura, cabelo liso, casaco de camurça, calças de ganga azul apertadissimas e botas pelo joelho. Nao ha' um dia em que nao veja uma ou duas aqui no meatpacking. Mas ao contrario dos de cima, anda sozinha porque obviamente detesta todas as outras iguais a ela. O extase deste especime foi uma noite destas numa festa italiana em que, de um casaquito ja' estreito, saiam duas estacas, tipo desenho de puto - um rectangulo com duas linhas. Eram as pernas, que aparentemente nao se uniam no rabo tamanha era a elegancia (ainda por cima a gaja devia medir uns dois metros de altura).
o gajo da casa de banho: imigrante, provavelmente ilegal, e que ganha a vida a viver nas casas de banho dos clubes e restaurantes (que aqui pela maça sao autenticas catacumbas de escuridao). Entra-se e la' esta ele, em pe', espera que o cliente mije (na mesma divisao), depois abre a torneira, espreme-lhe sabao liquido para as maos e da-lhe uma toalhita. Depois disso limpa religiosamente o lavatorio e recomeça. So ganha das gorjetas, mas aposto que faz mais numa noite que eu numa semana. Um dos ultimos que encontrei estava a ter esta conversa com um jovem financeiro:
- entao, esta' uma noite fixe
- ah, sim, porreira
- estas-te a divertir?
- hmm sai' agora do trabalho para fazer uma pausa, e daqui a duas ou tres horas volto para la'.
isto foi 'as duas da manha.
posto pelo Alexandre às 21:30 0 comentários
5 de abril de 2006
4 de abril de 2006
O Império
O gajo gostava de cúpulas. E de arcos, colunas, pedra, gregos e romanos. John Russel Pope, o "Arquitecto do Império", desenhou alguns dos edifícios designados como representadores da capital da América potente e democrática, grandiosa e tranquilamente clássica. O nível dos pormenores é impressionante: tudo, mas mesmo tudo, é desenhado. O mais miseravel bebedouro tem uma elevação artística quase divina, em bronze envolvido numa moldura de pedra (foi a viagem deste fim de semana).
É interessante como não se poupou dinheiro público no país em que tudo o que não se paga é em geral da pior qualidade. E os resultados são magníficos - fez-se pouco em quantidade (Washington é uma partícula na imensidão americana, e o peso dos políticos na vida comum é muito pouco) mas a qualidade de tudo é tal que se torna deprimente [saber que é quase impossível trabalhar assim hoje em dia]. O homem divertiu-se, está claro, mas também passou as passas do Algarve, porque teve o azar de terminar algumas das obras nos anos 30 e 40 (o memorial e a galeria, póstuma) e levar com a retórica do establishment em cima: a National Gallery foi etiquetada de "mumia" tudo porque, adivinhe-se, era clássica e não representava o espírito da América moderna (alem disso, o' heresia, estrutura metalica revestida a marmore.)
Pope acabou como queria, e construiu como queria (colunas maciças, paredes de 2,40m no templo). E hoje em dia, os outros, os museus da America moderna la estao, arcas congeladoras gigantes, sem piada nenhuma e com a unica atracçao de serem gratis. Porra, nao sou nenhum anti-modernista, mas a diferença de qualidade entre os edificios classicos do Pope e os cagalhoes modernos plantados no Mall e' tao grande, tao grande...
posto pelo Alexandre às 01:43 3 comentários
3 de abril de 2006
31 de março de 2006
30 de março de 2006
25 de março de 2006
a morte da arquitectura - 2

dedicado à Olívia:
Pois, continuando a conversa anterior, não é a secção áurea por si que faz com que certas relações espaciais nos pareçam mais ou menos interessantes. É sim o uso sistemático de uma escala de proporções coerente. Uma escala simples baseada na secção áurea pode ser:
quadrado • secção áurea • quadrado + secção áurea • quadrado + duas secções • etc. (qualquer número é a soma dos dois anteriores)
e usamos essa escala para compôr um edifício, em planta, cortes e alçados. Isto funciona para qualquer arquitectura que se faça - como se sabe, o Corbusier usava extensivamente a secção áurea com os tracées regulateurs, aplicados às fachadas como qualquer templo romano ou neoclássico (já vimos que no Renascimento se usava uma aproximação, e não uma verdadeira escala).
Outra noção muito interessante, ensinada pelo chefe (ele, nisto, é mesmo bom, apesar de aldrabar um bocado de vez em quando - mas como dizia o outro, com classe) é a da divisão de um segmento de recta:
• dualidade - o segmento é dividido em duas partes iguais
• diferenciação - o segmento é dividido em duas partes desiguais
• pontuação - o segmento é dividido em duas partes desiguais, em que uma é muito maior que a outra e deixa de valer por si, mas como um remate da primeira.
Exemplos disto abundam na Natureza e na arquitectura (a primeira deve muito à geometria, ou vice-versa). Uma flor é a pontuação do caule. O capitel é a pontuação da coluna, assim como o rodapé é a pontuação da parede. O umbigo diferencia o corpo humano segundo uma secção áurea. Um edifício composto por dois volumes pode ser diferenciado ou dualizado segundo uma hierarquia entre eles - um mais importante, os dois igualmente significativos, respectivamente.
E com a nossa escala, temos notas suficientes para dualizar, diferenciar e pontuar conforme aquilo que queremos transmitir com a nossa arquitectura (por isso é que ela é arte, e não obra do acaso). A arquitectura modernista, em geral, não tem pontuações - é abstracta, por isso recorre a relações entre volumes ou planos mas evita remates como rodapés ou platibandas.
(continua)
(já agora, apreciam-se comentários - isto é mais para aquilo que o Tiago queria que fosse para uma definição de arquitectura)
posto pelo Alexandre às 22:25 8 comentários
22 de março de 2006
Sobre os links aqui do lado
Já que se fazem anos, algumas notas. Normalmente, não escrevo sobre política porque estes moços aqui ao lado fazem-no muito melhor; e cada macaco no seu galho. Mas a maior parte deles não percebe nada de arquitectura, e os que percebem são furiosamente anti-liberais, ou parecem (ainda estou para ver um blog de arquitecto que não defenda a mama da revogação do 73/73). Aqui vai uma review dos blogs que linquei:
O Abrupto. O grafismo é discutível, a qualidade das imagens ranhosa, nem se percebe o que é que algumas estão lá a fazer e, pessoalmente, não tenho paciência para os poemas. Além disso, nos últimos tempos disse bem do Angelo de Sousa e arranjou aquela pepineira dos mandamentos. Mas tudo isso são pequenas objecções, porque o homem vê mais à frente quando resolve falar de política, concorde-se ou não, e para quem está fora e não pode ler o Público...
[quem me conhece pessoalmente sabe que posso estar a ser um bocadinho tendencioso]
O Espectro acabou agora, e ainda que fosse, por qualquer razão, inimigo do anterior, era outro incontornável... Só dizia mal, e muito bem. Por pouco tempo, às vezes chegava a ser hilariante e vou sentir a falta dele nas minhas raras manhãs sem patrão.
O Blasfémias era, há um ano atrás, o meu preferido. Neste momento raramente lá vou; às vezes parece-me demasiado provinciano, virado para si próprio, obcecado em provar que é de “referência” , bairrista, regionalista – tudo aspectos nada liberais... O grafismo é também muito mau, e os cartoons nem vale a pena comentar. Mas tem o João Miranda e o jcd, que geralmente salvam a festa.
O Desesperada Esperança é incrível... Será que existe mesmo alguém assim, ou é mais um Semiramis? De qualquer maneira o rapaz escreve muito bem e certeiro, e não se engasga (a não ser quando vê uma gaja, pelos vistos). E de vez em quando delicia-nos com uns posts hiper-auto-degradantes, e umas actrizes ensossas americanas.
Os Marretas são o meu blog preferido. No prisoners taken, e o humor é brejeiro sem deixar de ser inteligente, o que é raro. De vez em quando, um deles lembra-se de escrever qualquer coisa a sério. Como lá disse alguém, brilhantemente, “Tem razão e não tem piada. Logo devia estar no Abrupto”.
O Semiramis era bom, bom, e ninguem sabe o que se passou para acabar. A “menina” deve ter fomentado algumas paixões (incluindo em mim, que o diga a mana de Roma que teve que me ouvir). O único problema é que o dia de trabalho não dava para ler os posts enormes...
O Sócio Gerente de vez em quando lembra-se de acordar para a vida e mandar umas postas. É raivoso, mas aquela do “Sr Presidente, com todo o respeito vá-se foder” foi grande e valeu por tudo o que o homem há-se escrever, e por isso espero que não desista.
A Causa Liberal é daqueles que se vêm uma vez por mês, só para manter o link aceso. Não é que não seja bom, que é, apesar de não ter percebido muito bem se apoiava a Guerra do Iraque ou não, mas quem é que tem tempo para ler artigos quando é preciso numerar 200 janelas? Espero que no futuro.
O Insurgente é agora a minha referência, e deve ser o que mais visito à procura de coisas sérias. A maior parte dos articulistas é inteligente e escreve bem, junta vários bloguistas e tanto quanto me parece não gosta muito dos betinhos de direita. Além de que escreve pouco de cada vez, e nao testamentos, condiçao essencial para que eu tenha tempo de o ler.
A Rititi é bestial. E ainda por cima fala de Madrid, que é uma das cidades que gosto mais. É melodramática e incorrecta, inesquecível quando se põe a “educar o povão” sem paninhos quentes miserabilistas, que é o que abunda no nosso país.
A Rua da Judiaria é outro dos que tem que se ter tempo. Mas vale a pena, e o homem consegue falar dele próprio sem ser arrogante, uma qualidade que escasseia pela blogolandia. E quando fala dos outros, é sempre interessante.
A Arte da Fuga é a outra referência. Escrevem bem e gostam de boa música, são mais comedidos que o Insurgente em geral apesar de agora passarem por lá.
A Mão invisível, idem. E ainda por cima partilha a minha opinião sobre a Ordem e o 73/73. Só boa gente (e tem um bom grafismo).
Dos outros, ou se diz bem ou não se diz nada. Como a maior parte são meus amigos, ou me lincaram generosamente, prefiro estar calado porque aqui a minha opinião é muito mais parcial (partindo do princípio de que alguém está interessado nela de todo). O que não quer dizer que não goste das pessoas... (claro que se recomenda o FotoBen, por razões óbvias, e ainda faltam alguns, que tenho que actualizar). De resto, ao contrário da maior parte dos meus preferidos nem ligo aos direitistas emproados nem aos fricazóides de esquerda, porque tenho mais que fazer.
posto pelo Alexandre às 20:05 2 comentários
17 de março de 2006
a brincar a brincar

Aqui a santa já fez um ano em Portugal. Ainda faltam umas horas por aqui, mas como de qualquer maneira foi nada e criada em Roma, parabéns à santa.
posto pelo Alexandre às 03:32 3 comentários
a morte da arquitectura
Com a Rensacença, morreu a tradição da Antiguidade. Segundo o meu chefe, pelo menos (ele gosta de usar frases bombásticas deste género, especialmente sabendo que é um dos major players da arquitectura clássica nos EUA). O argumento é o seguinte: até ao Renascimento, o construtor era o arquitecto. Não sabia ler, mas sabia o suficiente para executar a sua profissão e em certos casos produzir obras de arte. Os edifícios eram proporcionados geometricamente, com métodos muito simples e coerentes (no clássico a secção áurea; no românico o rectângulo √2, no gótico o √3), e que correspondiam ao modo como eram construídos. Em obra, os métodos geométricos aceleravam o processo porque com meia dúzia de ferramentas simples garantia-se a beleza e unidade artística da catedral ou do templo sem precisar de medidas escritas. (já agora, existiam divisores proporcionais em Pompeia). Com o Renascimento apareceu o Homem Ilustrado, que domina todas as artes e letras. O arquitecto, que não construía, conceptualiza aquilo que vê nas ruínas em Roma e transforma-o naquilo que sabe - em números.
Isto é o que o chefe gosta de chamar, noutra das suas tiradas geniais, o analógico vs o digital. Ou seja, as proporções numéricas introduzidas pelo Palladio e amigos são uma aproximação rasca à pureza clássica e gótica (ele defende que o gótico é uma sistema ainda mais sofisticado, ainda que monótono, que o clássico). Veja-se a série de Fibonacci:
1 2 3 5 8 13 21 34 & etc
[cada número é o resultado da soma dos dois anteriores]
se dividirmos 5 por 3, igual a 1,666
se dividirmos 8 por 5, igual a 1,6
se dividirmos 13 por 8, igual a 1,625
se dividirmos 21 por 13, igual a 1,616
se dividirmos 31 por 21, igual a 1,619
Ø, a secção áurea, é quse igual a 1,618, ou seja o valor a que estes números, de uma série fixa, se aproximam. Funciona com quaisquer números iniciais - a série tende sempre para Ø.
(continua)
posto pelo Alexandre às 01:19 0 comentários
16 de março de 2006
últimas
•Sábado, depois de duas horas de discussão, fomos desopilar para uma discoteca brasileira, com umas caipirinhas miseráveis. Mas o som era bom, e deu para suar a noite toda. A secção feminina estava bem representada, e a masculina parecia toda saída da Men's Health - buffed bodies, ripped abs, ou seja com umas boas horas de ginásio em cima do lombo (eu era o único lingrinhas).
•Terça, depois do trabalho (um caos de reuniões intermináveis), passámos por aqui a chamar uma amigalhaça e depois fomos ao Lips, um bar restaurante de travestis transsexuais. Ultra-kitsh, neons, brilhantes e dourados, e noite karaoke com um jantar de turma de adolescentes imberbes, borbulhentos e virginais! E deu para rever um dos nossos amigos da viagem de Verão - mais conhecido como "give us a show, you bitch", aka pretalhão, que era o apresentador do show nessa noite. (o pior bloody mary da minha vida, grãos de pimenta do tamanho de amendoins, nem sei como é que o meu estômago se aguentou à jarda).
•Hoje, fui aprender a enriquecer com um cursito intensivo de real estate pago pelo escritório. Interessante, como já na semana passada aconteceu aqui na casa - com uma conversa com a Merril Lynch - quando se trata de carcanhol, toda a gente está atenta e faz perguntas. Para a semana há mais uma "conversa", desta vez uma mesa redonda sobre Capitalismo vs. Socialismo. nem de propósito... [estou curioso em saber a opinião de uns quantos chineses totalitários que por aqui há sobre a questão]
posto pelo Alexandre às 05:38 1 comentários
12 de março de 2006
américa
Williamsburg, comida de plástico (literalmente), a reviver os velhos tempos. Para acreditar que a mesa está posta há 200 anos.
posto pelo Alexandre às 21:44 2 comentários
10 de março de 2006
À descoberta da América
Estas fotos são do fim de semana passado, quando o escritório todo foi dois dias para a Virginia, o primeiro Estado de todos. A ideia era ver Williamsburg, capital durante mais ou menos cem anos, antes da Independência. Várias coisas tornam-na única: o facto de ser uma cidade planeada, com um esquema axial semelhante ao de Washington (ali viveu Jefferson, o presidente-arquitecto), o facto de ter sido planeada como uma comunidade fechada, reservada à elite governativa, no sec. XVIII (a plebe vivia na periferia), da grande maioria das casas ser pré-fabricada (primeiro contruía-se, depois o cliente vinha e escolhia, como num catálogo), e por último por ser, hoje, uma das poucas réstias de originalidade e beleza da arquitectura norte-americana. Graças aos Rockefellers, nos anos 20 foi objecto de um "restauro criativo" que reconstruiu mais de metade da cidade in stile e com estilo, diga-se. Tudo meticulosamente arranjado, as madeirinhas todas no sítio, as cores certas, os móveis de acordo com os inventários da época, e habitada por uma população de actores (que mora mesmo lá, nas casinhas de madeira) que durante o dia passeia de carroça, toca viola da gamba e cravo e serve nas tabernas, vestida como há duzentos anos. Um museu-vivo, uma cidade fantasma, um dos sítios mais bonitos que já vi na América. Seguem-se as fotos.
(Às vezes tive a impressão de que com as drogas certas, não é preciso muito para acreditar que se está no séc. XVIII ao passear pela única rua.)
posto pelo Alexandre às 05:54 1 comentários
9 de março de 2006
8 de março de 2006
cretinices
voltar à idade da pedra, dar graxa ao patrão, insistir em desenhar com régua e esquadro e estirador, perder horas e células nervosas a fazer e refazer as mesmas coisas trinta mil vezes porque se desenha à mão e nada bate certo, certificar-se que o parceiro do lado se apercebe disso, através de grunhidos, suspiros e aspirações de ar nevróticas, subir na carreira a puxar os outros para baixo, gostar de ser amanteigado e recompensar quem o faz, ouvir só aquilo que agrada e não o que dói e é preciso, gerir o trabalho às migalhinhas, agora faz esta linha - imprime, sobe e desce as escadas - agora põe estes armários - imprime, sobe e desce as escadas - agora este texto, etc e tal, ser picuinhas e insistir em desenhar obras de arte que só os trolhas vão ver, ter mau hálito e perder clientes, pôr toda a gente a "participar", sem hierarquia e quando se sabe que no fim quem manda é o patrão por isso é um engano e só nos faz perder tempo.
Ahhhh.... o que vale é o colo à minha espera em casa.
(soube mesmo bem)
Mas para desopilar, já se pode escrever com acentos, como deve ser. E se estou ácido, a culpa é também do melhor romance que li nos últimos tempos, e que neste momento atravessa uma fase negra, mesmo antes do fim. Mas recomenda-se, ao ponto de eu apanhar o metro que demora mais tempo só para aproveitar mais uns minutos de pure goodness antes de chegar a casa.
posto pelo Alexandre às 01:55 2 comentários
2 de março de 2006
ja chega

de postar do trabalho, sem acentos e com os coleguinhas a espreitar por detras do ombro (a minha posiçao nao permite grandes intimidades com o ecran). Por isso, a partir de segunda passo a ter net em casa, senao aqui o tasco nunca mais sai da crise - como o nosso Pai's. Ate' ja'.
posto pelo Alexandre às 15:35 2 comentários
24 de fevereiro de 2006
mais Connecticut
o Estado dos ricos, em que tudo parece vir do tempo dos colonos, incluindo as caixas de correio em lata. So' as alpacas dos andes contrastam com a paisagem natural (v. dois posts abaixo) e criam um ambiente de Terra Perdida Ideal.
posto pelo Alexandre às 00:56 2 comentários
23 de fevereiro de 2006
22 de fevereiro de 2006
21 de fevereiro de 2006
a minha casa
do outro lado do rio (a foto e' da menina Ina.) E' o terceiro a contar da direita: a torre da Riverside Church, depois o mausole'u do general Grant, depois os dois predios da casa internacional.
posto pelo Alexandre às 00:08 0 comentários
17 de fevereiro de 2006
hei!
alguem disse tudo, aqui! nem e' preciso ler mais blogs. A sintese perfeita.
posto pelo Alexandre às 16:04 0 comentários
16 de fevereiro de 2006
bem
sem saber muito bem porque, esta menina linkou-me. aqui fica o obrigado.
posto pelo Alexandre às 16:12 0 comentários
caro BGL
comentando rapidamente, antes de sair do escritorio, o teu post:
Atribuis ao Estado parte das culpas da nossa situaçao, quando dizes que permite que anualmente surjam um número exagerado de licenciados no mercado. Mas, pergunto eu, o que e' o Estado tem que meter o bedelho no numero de arquitectos? Esse e' precisamente o problema: o controlo central do ensino da arquitectura plea Ordem, e nao a sua liberalizaçao. Discordo completamente de que devia exigir o papel de coordenação global coerente da formação académica portuguesa em arquitectura com as instituições académicas e Ministério da Educação, relativamente às necessidades do mercado e empregabilidade. Mais uma vez, nao precisamos de nenhuma Ordem a controlar o ensino de acordo com as condiçoes de mercado: como se isso fosse possivel! E desejavel: coloca entraves a quem tem merito e nao precisa de se agarrar a uma especie de "clube de elite" para ter trabalho, que e' o que infelizmente se passa no nosso pai's.
posto pelo Alexandre às 00:28 0 comentários
acabou
o Semiramis. O que quer que se tenha passado, ou fosse quem fosse que escrevia, era um dos melhores e nao torna a escrever.
posto pelo Alexandre às 00:23 1 comentários
14 de fevereiro de 2006
links
mais uns quantos que me linkaram, e a quem ja' se deve um obrigado:
eli@NYC
a barriga de um arquitecto
posto pelo Alexandre às 21:25 2 comentários
13 de fevereiro de 2006
Sobre a Santa Bárbara
o espectro e' o meu novo top.
* * *
Enquanto espero pelas meias que secam na máquina, lembrei-me de escrever qualquer coisa sobre o nome aqui da folha. A Santa Bárbara foi torturada e degolada pelo pai (porquê não sei nem vou investir muito esforço na coisa), tal como contam os panos da Maria Barraca que é uma artista popular e pastora da Mizarela, Guarda. Foi aí que vivi até à Universidade (na Guarda, não na pequena aldeia da Mizarela) e cheguei a conhecer a pastora através dos meus pais e de amigos (esses sim, da Mizarela). Os panos são nada menos que uma espécie de bordados copiados muito livremente de um caderno que a pastora levava para o monte e que contava a vida da Santa. Quando era pequeno, os meus pais compraram e encaixilharam meia dúzia deles, e eu achava-os horríveis e não percebia nada do que lá estava escrito. Neste momento estão no Museu da Guarda (alguns - acho) e são absolutamente fantásticos, para quem gosta de arte popular como eu.
Mais tarde descobri que a Santa era a padroeira dos arquitectos, e mais tarde ainda, sem grande convicção (na época) entrei para a Faculdade de Arquitectura no Porto.
No meu quinto ano fui para Roma, e aí descobri o Largo dei Librai, com a igrejinha da Santa Bárbara dedicada, também, aos livreiros (ao que parece, os santos têm muitas obrigações). Nesse sítio cortejei abundantemente todas as raparigas que pude (ainda que com pouco sucesso), mais por mim do que por elas, pela ideia de que seduzir uma mulher naquele espaço mágico – uma praça formada dentro de um teatro romano, com um dos lados aberto para a confusão do Campo de’ Fiori, e o outro completamente ocupado pela fachada da igreja – era o triunfo total da beleza como modo de vida. Confesso que esta obsessão é um dos meus pecados, ainda que, espero eu, não demasiado. De qualquer maneira, a fachada, que se debruçava sobre a minúscula esplanada da gelataria (onde levava as moças a comer o iogurte gelado com fruta granizada) é a imagem do blog.
Em Outubro vim para Nova Iorque e não há nada que tenha a ver com a dita Santa que não seja a minha profissão, mas um dia hei-se ser rico e voltar a viver em Roma e na minha casa no Largo dei Librai hei-de ter os panos da Maria Barraca.
posto pelo Alexandre às 16:02 3 comentários
9 de fevereiro de 2006
tanta coisa
antes de mais, um abraço ao meu amigo Tiago Ramos, que hoje descobri que tinha um blog. Aqui esta', e tambem na lista ao lado. (meio croft).
E ja' agora, aproveito para comentar este post sobre a Ordem (o meu assunto preferido), ponto por ponto.
[ja' agora, deixem-se de colectivismos e assinem o que escrevem!!]
1. "A criação desenfreada de Licenciaturas de Arquitectura pelas universidades privadas"
Numa sociedade dinamica, a proliferaçao de oferta so traz vantagens - nomeadamente, hipoteses de escolha. Em Portugal, os cursos privados de arquitectura so' servem para dar uma licenciatura a quem nao entra para a publica, porque ninguem quer pagar para ter qualidade nem 'as privadas passa pela cabeça que oferecer um serviço de qualidade pode ser uma mais valia que se faça pagar, e bem. Infelizmente, nao conheço excepçoes.
2. "A "moda da arquitectura" que se abateu sobre o portugal (...)"
O mercado esta' saturado, e por isso mesmo, porque nao se aposta na qualidade, a logica do merceeiro vinga: pagar o menos possivel a estagiarios nao preparados e esperar que eles façam o trabalho todo. (tal como o merceeiro poe os filhos a trabalhar).
3. "A mediatização da arquitectura"
Quanto mais pessoas forem expostas 'a arquitectura, mais vao querer projectos de arquitecto...
4. "A crise no sector da construção"
Nao conheço essa crise - alias, ate' se constroi demais e muito mal.
Tenho que dizer o seguinte: sou contra a Ordem dos Arquitectos e espero que nunca consiga ter o poder que pretende. Isso seria muito mau sinal, sinal de que o corporativismo (de esquerda ou direita, nao importa) tomou o poder e impediu definitivamente a abertura da nossa sociedade. A nossa economia fechada e subsidiada, sim, esta' em crise e e' precisamente isso que faz com que nao haja trabalho, arquitectos incluidos. Arquitectos especialmente, diria, porque a nossa e' uma profissao de luxo e quando nao ha' que comer, o luxo que se lixe.
A Ordem nao tem nada que se meter no mercado nem que regular as escolas. Esse e' o caminho do proteccionismo, da burocracia e da centralizaçao de poder. Um arquitecto que tire o curso pela FAUP, por exemplo, esta' sete anos, no minimo, para poder começar a exercer a profissao - e com uma licenciatura, ao passo que toda a gente aqui em NY tem um mestrado ao fim de 5 anos. Precisamos de trabalhar para recuperar este miseravel pai's, e continuam a por-nos mais entraves, como a ridicula prova de admissao. E por isso e' que organizaçoes como o OA so' atrapalham, porque esta' na sua natureza criar uma clientela propria e alimenta'-la (com os nossos impostos e as nossas quotas) e nao facilitar a vida ao recem-licenciado nem muito menos estimular a concorrencia. Ai, santa paciencia... o que vale e' estar longe de Portugal e nao ter que aturar, por enquanto, estas pepineiras.
Ja' agora, alguem sabe se se pode faltar 'as acçoes de formaçao?
posto pelo Alexandre às 20:04 3 comentários
a febre dos posts
aproveito a hora extra que tenho que trabalhar hoje (compensar a que perdi ontem devido ao cocktail do MOMA) para entrar numa orgia de posts e assim equilibrar a falta de participaçao dos ultimos tempos. So para dizer que por aqui o dryvit, menina dos olhos dos Faupistas de sacristia, e' visto como um material de segunda.
D. - [apontando para uma foto da Fundaçao Ibere Camargo, em construçao] A., que material e' que achas que vai ser quando acabar?
A. - Hum... betao 'a vista, ou entao um material que ele usa muito, o dryvit.
D. - OH NAO! Dryvit, que desilusao!... Pensei que ele usasse estuque verdadeiro!...
Na terra onde tudo e' industrial e pre-fabricado, tudo o que e' vagamente artesanal tem mais valor. E realmente, depois de ver os cantos partidos das janelas da faculade de arquitectura, nao os censuro. Alem disso, nao se pode consertar - tem que se substituir toda a parede de cada vez que abre um buraco. Pronto, la' temos as pontes termicas outra vez.
posto pelo Alexandre às 00:56 1 comentários
e pronto
para nao me chamarem mais neoclassico americano, como esta menina, inchem aqui com esta foto da loja do Carlos Miele, desenhada pelos senhores Asymptote, que me fartei de procurar em Agosto quando estive ca' de ferias e so' anteontem descobri que ficava mesmo atra's do escritorio! Na verdade a foto faz mais render o peixe do que a realidade, porque e' dificil unir aquelas curvas todas sem algumas costuras feias... mas tem os seus momentos.
posto pelo Alexandre às 00:10 1 comentários
8 de fevereiro de 2006
ha
ja' passei mais tempo a tentar mudar esta merda que a escrever posts. (escrever da' mais nas vistas no escritorio). Mas agora, love it or hate it, ja' esta' bem.
Com a nata da nata da arquitectura espanhola, a comer tortilhas e beber vinho, e alguns herois que por la' apareceram, mas que nao consegui fotografar. Adoro openings, jantar 'a borla enquanto se admira o circo de aspirantes a estrelas sucking up os monstros sagrados.
posto pelo Alexandre às 18:28 0 comentários
7 de fevereiro de 2006
6 de fevereiro de 2006
arrumar a casa
Novas cores, e ordem nos links. Foram decretados defuntos os seguintes:
os arquichatos
o whiskissos
o certas pequenas manias
os zes de furio camillo
e o antigo blog do chines.
In memoriam
E bemvindo o novo blog do chines.
Welcome Johnathan!
posto pelo Alexandre às 22:08 1 comentários
4 de fevereiro de 2006
3 de fevereiro de 2006
to go
vai-se ao starbucks e pede-se um cafe' para 20 pessoas. Leva-se um saco cheio de pacotinhos de açucar e leite, e um balde de cartao estilo vinho de mesa de pacote, ja' com pega incluida. Funciona mesmo assim, a vida de escritorio, e metade da cidade vive disso.
posto pelo Alexandre às 15:08 0 comentários
2 de fevereiro de 2006
meatpacking meathooks
Pois, ainda ha muita carne pelo meatpacking district. A maior parte dos habitantes, na verdade, e' constituida por modelos anorexicas e jovens gays artistas que gostam de pensar (e dizer) que vivem entre os machos rudes, estes que vivem de carregar e descarregar os enormes pedaços de bicho morto. E agora, com o filme dos cowboys gays em extase publicitario, isso e' mais apetec'ivel do que nunca...
posto pelo Alexandre às 23:47 0 comentários
highline

a linha alta, usada para transportar mercadoria acima do nivel dos peoes, aqui no lower west side. Nao e' muito extensa e ainda bem, porque funciona como barreira entre a cidade e o rio. mas pode ser que depois de lhe mexerem a coisa mude. Entretanto e' uma bela ruina.
posto pelo Alexandre às 20:21 1 comentários
30 de janeiro de 2006
e' o amor
Sexta 'a tarde, no trabalho, recebo um mail da menina a pedir-me que lhe compre coisas de gaja. Saio do trabalho e passo na pharmacy, que e' uma espe'cie de supermercado-farma'cia (um conceito que faria os lobbies farmaceuticos portugas tremer como varas verdes). Atordoado pelo fim de 12 dias ininterruptos de trabalho, o meu cerebro congestionado por linhas de secçoes aureas, rodapes e cornijas proporcionais, janelas de 3 por 5, la' encontro o pacote pretendido, pego nele e dirijo-me para a fila, sem mais nada na mao - e' que nem conseguia raciocinar bem, so' queria era ir para casa.
A senhora da caixa ficou mais envergonhada que eu, quando lhe dei aquilo para a mao. Primeiro fez de conta que nao viu. Depois disparou, friamente:
-You must love her, you must really love her. That's love!
So' ai' e' que me dei conta. Ri-me, paguei e meti aquilo na mochila.
posto pelo Alexandre às 20:24 2 comentários
26 de janeiro de 2006
updates
E' pa' , este blog ja' se começa a parecer com o Socio Gerente, que so' o actualiza quando o rei faz anos.
Assim, tenho que mandar umas postas enquanto posso:
1. Naturalmente fiquei contente com o resultado das eleiçoes, e' mesmo assim, que ganhe o menos mau e neste caso entre os outro que viesse o diabo e escolhesse (se fosse eu escolhia o Louça, por ser um miseravel populista e um betinho de esquerda. Argh!). Naturalmente nao votei, por causa desta imbecilidade de nao se poder votar pela internet quando todas as nossas contas bancarias, que sao um asssunto que nos afecta muito mais directamente, estao em rede. Paciencia, ha'-de vir o tempo. (Ridiculo e o tempo de antecedencia para a inscriçao no consulado - tres meses; como vim para ca ha' dois...)
2. Ja' sei que isto nao interessa a ninguem, porque quase ninguem faz ou se interessa pela arquitectura classica em Porugal, mas os ultimos dias teem sido de orgasmos mentais multiplos pela descoberta daquilo que o meu patrao chama a maneira "analogica" de fazer arquitectura. (ele tambem ouve cassetes no walkman, que e' uma coisa bastante analogica, mas tambem anacronica).
Ou seja, ao contrario do que faziam o Palladio, o Vignola, o Chambers, Perrault, etc e tal, que dividiam a base da coluna em 60 ou 100 partes iguais, e depois davam medidas para tudo baseadas nessa divisao, pode-se construir toda um ordem geometricamente, sem usar um so numero. Incrivel (como disse, ja' percebi que isto nao vos interessa um boi, seus modernistas, mas paciencia). E tudo com secçoes aureas e quadrados.
Ai' esta' a diferença entre o analogico e o digital - quando no primeiro temos uma curva, no segundo temos uma serie de pontos que se aproximam da curva - mas por muito que se aproximem, nunca la' chegam, porque sao isso mesmo - numeros, que tem que ser descritos e logo nao podem ser em numero infinito. Assim, as ordens da Renascença eram aproximaçoes, enquanto que as que fazemos aqui sao the shit. Acabei o meu primeiro frontao, ha' bocado.
3. Mais outra do meu patrao: ele nao gosta das folhas da serie A europeia, que tem todas a mesma proporçao (dividem-se ao meio para se transformarem umas nas outras). No entanto, sao bastante analogicas - um rectangulo raiz de 2. As americanas, por seu lado, sao segundo ele baseadas na secçao aurea e logo muito melhores, porque quando divididas a meio resultam numa dupla secçao aurea, e se divididas outra vez, voltam 'a secçao aurea original, e assim por diante. Façam a prova no AutoCAd, que e' mesmo assim. (o equivalente americano ao nosso A4 tem 11" por 8.5", e na verdade esta' muito longe de corresponder 'a secçao dourada... mas o chefe assim o acha. No entanto, uma janela de guilhotina de 3' por 5' e' quase equivalente).
Entao at'e para a semana... pode ser que seja antes.
posto pelo Alexandre às 19:59 2 comentários
20 de janeiro de 2006
17 de janeiro de 2006
mmmmmm
O gajo que devia estar 'a minha esquerda e que costuma soluçar e arrotar nao veio hoje. Fizemos um picnic no escritorio, com pao verdadeiro, queijo, frango e abacates, vinho tinto e enchidos italianos. Ao mesmo tempo, chove ao meu lado direito, (dentro do dito escritorio, claro) e tudo e' mudado de sitio: pessoas, moveis e comida. Com sorte vao-me dar uma estante (a melhor coisa desde que me tiraram o estirador) e o desgraçado que nao veio e' despedido.
Adoro o meu trabalho!
posto pelo Alexandre às 20:20 1 comentários
15 de janeiro de 2006
internacionais
Depois do pior peixe que já alguma vez comi, a coreana à minha direita verifica as contas, o italiano à minha esquerda escreve notícias "científicas" para o quase tablóide jornal conservador da terra dele, o astrofísico americano ao fundo da mesa calcula uma bomba nuclear, o israelita ao fundo da sala prepara o próximo concerto de clarinete e ao longe ouve-se alguém a aquecer o trombone. Daqui a bocado vamos ao Met, e é o que vale para ver a neve. Até breve.
posto pelo Alexandre às 20:43 1 comentários
diferenças
NU-IORQUE: uma das cidades mais ricas da América
NU-ORQUE: uma das cidades mais portuguesas da América
posto pelo Alexandre às 20:35 0 comentários
11 de janeiro de 2006

enquanto se prepara a Boca de Incendio no. 3, sem tempo para nada, fica aqui um souvenir do fim de ano no Porto.
posto pelo Alexandre às 18:50 0 comentários
3 de janeiro de 2006
alguns blogs sao intimistas
mas este simplesmente poe as tripas de fora, self-loathing em estado puro. Interessante, como alguem que escreve tao bem tem uma opiniao tao ma' de si proprio. Ou sera' birra?
posto pelo Alexandre às 15:42 1 comentários
2 de janeiro de 2006
e no aviao
toda a populaçao masculina tem bigode, e' careca, ou ambos. E assim que aterramos, um cavalheiro 'a minha beira telefona 'a familia:
"TEMOS 'A ESPERA CABREM AS PORTAS"
Hospedeiras matronas, hospedeiros de farda suja, sem grande preocupaçao com a lingua ("more coffee? trago ja'"), salmao na noite de consoada, uma televisao para cada trinta cabeças, com um filme em VHS ja' visto e revisto umas vinte vezes e televisao que distorce e treme, o sistema de som que nao se regula, frio no aviao, e as incriveis casas de banho em que para lavar as maos so' ha' duas hipoteses: ou se enche o lavatorio e se mergulham as mana'pulas na mesma pia de toda a gente, ou se usa uma mao para abrir a torneira enquanto se lava a outra.
Mas nao ha' nenhuma outra companhia que faça Lisboa-NY? isto e' mesmo 'a pobre.
posto pelo Alexandre às 16:29 1 comentários
traduçao
aeroporto de Lisboa, voo da TAP:
"Atençao, embarque na porta, voo para MAN-CHES-TER"
e depois, em ingles,
"Atention, boarding at gate, flight to MAN-CHIS-TER"
posto pelo Alexandre às 16:25 1 comentários
hot coffe, cold morning
e o trabalho recomeça. E os posts tambem.
posto pelo Alexandre às 16:22 0 comentários
29 de dezembro de 2005
um santo natal e um grande ano novo

são os sinceros votos do autor a todos os leitores desta folha. E umas minis, também, para desentupir o cano. [objectos portugueses - cerveja de 20cl]
posto pelo Alexandre às 21:12 1 comentários
23 de dezembro de 2005
ah....
e um almoço com toda a gente depois, a ultima tarde de trabalho, em que tudo ja' esta' feito e por isso so' falta digerir as cervejas e os shots de ovo, leite e brandy. Amanha conto com o bacalhau da TAP na consoada passada no aviao, e de manha entro na santa terrinha. Ate' breve.
posto pelo Alexandre às 20:47 0 comentários
22 de dezembro de 2005
coitadinhos
dos blacks, latinos e jamaicanos que trabalham no metro. Por causa das origens deles, ninguém os pode criticar. Assim que se protesta, lá vem o choradinho dos "blacks, latinos e jamaicanos" contra os brancos ricos, em tom de prédica. Será que não percebem que isso também é racismo?
posto pelo Alexandre às 22:33 1 comentários
acabou a guerra
perdão, a greve. E eu em casa a trabalhar graças às maravilhas do progresso.
Daqui a dois dias saio desta cidade infernal, ainda bem (mas só por uma semana, que depois começa a fazer falta).
posto pelo Alexandre às 22:07 0 comentários
21 de dezembro de 2005
e pronto
sem nada para fazer, abandonado (temporariamente!) pela menina que não dorme há dois dias a acabar a tese, um frio de rachar lá fora e esta sala de internet sem janelas, paredes cobertas de mapas e dividida por uma série de pilares de madeira pintada, meio clássicos mas colocados assimetricamente. Ugh! Logo, ler blogues e escrever:
E como já há muito tempo não mandava uma para a caixa sobre a terrinha, aqui vai. Li agora mesmo o post do Tiago sobre a exposição dos Mateus. Vi-a em Lisboa um dia antes de vir trabalhar para NY, em Outubro, e apetecia-me mesmo meter a colherada (por aqui não é fácil ter uma discussão, quando metade do escritório foi treinado com os clássicos e a outra metade não almeja ser mais que um desenhador - de designer - para toda a vida).
É evidente o charme daquilo que é mostrado. Quase nada sem ser a preto e branco, muito preto e muito branco, quase sem cinzentos. Volumes e planos, contrastados brutalmente. E os projectos têem uma forma imensamente apelativa para qualquer arquitecto, porque deixa perceber um conceito imensamente simplifcador. Na maior parte dos casos, esvaziar espaços, construí-los dentro dos muros, adicioná-los mas não subtraí-los; Rectângulos, sem rodapés, sem mobílias, pura forma, pura expressão. Algumas plantas pareciam-me tiradas do séc. XVII, enormes complexos de quartos e divisões interligados, mas desenhadas com aquele estilo minimalista dos Mateus e de tudo o que é fashion-victim da arquitectura recente.
Passado algum tempo, deixei de tentar perceber como é que as casas funcionavam; e lembrei-me do que me ensinaram [não oficialmente, claro] na FAUP, que se a geometria é forte, o resto acomoda-se... Fora o comentário cínico, vale a pena ir ver pela pura atracção visual.
Lembro-me agora que há umas semanas atrás fui com o meu irmão ver as galerias de Chelsea. E, surprise, surprise, eram TODAS brancas e sem rodapés [tirando alguns tectos de madeira, restos de velhos armazéns, certamente deixados ficar pelo seu exotismo].
posto pelo Alexandre às 00:02 1 comentários
20 de dezembro de 2005
there's a strike - and I'm pissed
[a quente]
Pensei que não havia greves no país da liberdade. E já não havia uma há 25 anos, mas tinha logo que ser este ano, e no Inverno.
As greves nos transportes públicos são ilegais em Nova Iorque, e não se comemora o 1º de Maio no país que o criou. (o "May-Day", ou "Commie-Day").
Esta greve dos transportes não é como as greves mariquinhas da Europa. Há 25 anos, durou 11 dias. E por cada dia de greve, cada trabalhador tem que pagar uma multa de dois dias de salário. E mesmo assim está tudo paralisado. Concorde-se ou não com os motivos, estes gajos têm tomates.
O presidente do sindicato parece o Bob Marley a falar.
E é incrível que na cidade mais dinâmica do Ocidente haja um organismo estatal, centralizado, com a capacidade de parar tudo e todos.
De manhã, incrédulo, saí de casa à hora normal. Uma enorme bicha de carros e táxis prolongava-se ad infinitum, até downtown. Decidi segui-la, mas logo fui abordado "Hey, vais para baixo? queres boleia?" Era um tipo numa carrinha preta enorme. Para entrar em qualquer rua abaixo da 96, é preciso ter 4 passageiros (parte do contingency plan). Por isso, como moro pela 124, foi fácil encontrar quem me levasse. Mas deixou-me na 69, e o trabalho é na 14... E durante a viagem, o rapaz ainda teve que ouvir do patrão e despedir-se do trabalho (!), até que chegámos à 7o e o trânsito pura e simplesmente bloqueou. Gente a sair dos táxis, dos carros, etc e a caminhar. Lá decidi ir até casa e subir 50 quarteirões a pé. Fucking strikers.
posto pelo Alexandre às 21:03 0 comentários
capacete anti-stress

objectos surreais americanos #3.
Por causa de um suicidio o ano passado, puseram-nos esta coisa na caixa de correio. Serve, segundo eles, para espremer enquanto se espera pelo elevador e libertar as tensoes.
posto pelo Alexandre às 01:06 0 comentários
divisor proporcional
objectos surreais americanos #2.
a abertura pequena esta' para a grande numa razao de 1:aquilo que se quiser, neste caso a seccao aurea. (1.618...)
posto pelo Alexandre às 01:03 1 comentários
berbequim apagador
objectos surreais americanos #1.
a ponta e' uma borracha em forma de tubo. Apaga la'pis e tinta da china. O ruido e' parecido a uma broca de dentista.
posto pelo Alexandre às 00:56 0 comentários
19 de dezembro de 2005
17 de dezembro de 2005
update
o blog do chinês, o único por aqui que vai pondo umas coisitas na net. As fotos são sugestivas.
posto pelo Alexandre às 21:34 0 comentários
outra coisa boa
de NY, é poder sair quinta à noite ao Lower East Side e ver o John Zorn, o Arto Lindsay e o Anton Fier a improvisar (os dois últimos fizeram parte de uma das minhas bandas preferidas, os Lounge Lizards). O problema é que de vez em quando a típica atitude New York snob se torna insuportável: depois de tocarem 45 minutos, foi thanks for coming guys, arrumar o saxofone e putas e vinho verde - nem encore, nem agradecimentos, nem nada. [diga-se que o normal por aqui é tocar vários concertos por noite, em sítios diferentes, e correr de uns para outros - mas pelo menos uma palavrinha, em vez do ar enfastiado tenho mais que fazer que vos aturar].
O concerto, sem ser brilhante, foi bastante bom e o Arto Lindsay um verdadeiro showman, sem precisar de tocar uma única coisa normal com a guitarra e a cantar copiosamente, feito louco. Foi caos controlado do princípio ao fim.
posto pelo Alexandre às 21:00 1 comentários
13 de dezembro de 2005
e so para dizer que ainda estou vivo
mas a falta de maquina fotografica e de um computador decente, alem de tempo (e vontade) para ler noticias, fazem com que isto se transforme numa pasmaceira. Mas e' aguentar, porque hoje tenho a minha primeira entrega, e viva o Rei que transformei uma cave numa especie de termas romanas, com nichos, vestibulos, antecamaras, etc e tal. Agora so falta provar a estes marmelos que os computadores tambem sabem desenhar.
posto pelo Alexandre às 19:40 1 comentários
9 de dezembro de 2005
cai neve em Nova Iorque
OK, ja' sei que o titulo e' mais batido que-o-sei-la-o-que^ e nunca ouvi a cancao. Mas nao consegui resistir a queixar-me mais um bocado. Acordei numa especie de sonho de Natal, com um ceu branco impenetravel donde caia neve sem parar. Estava tudo branquinho, tranquilo, ainda nao muito calcado pelos transeuntes. Chegado ao emprego tudo mudou. Primeiro choveu, depois o sol abriu, e eis que a cidade se transforma num lamaçal (ah, ja sei por alguns acentos num teclado estrangeiro). Nunca vi, nem a Guarda nos seus piores dias ficava tao entulhada de lama, neve recalcada nos passeios e estradas a transbordar e agua. Suponho que o servico publico funciona mesmo mal por aqui, mas tambem o espirito e' cada qual limpa a sua parte do passeio...
posto pelo Alexandre às 20:39 0 comentários
posta da semana
Pois, o ritmo está a abrandar. Mais uma folga da menina, para aggiornare o pasquim:
1. Não há Natal por aqui, mas sim uma coisa vaga chamada Holiday Season. Terrível, e em todo o lado. Acho que é tão incorrecto dizer Natal neste momento que é quase criminoso. E tudo porque "algumas pessoas se podem ofender". Como diria o SC, e se fossem mas é levar na peida mais as ofensas deles? Natal é Natal, e quem não gosta não come. Eu que não sou católico, nem nada que se pareça, sinto-me ofendido por não haver Natal, e acho que essas pessoas que se podem ofender sentir-se-iam, também, se mudassem o nome aos feriados das respectivas culturas.
2. OK, esta não resisto: "hmm... nesta casa de banho podias pôr um... como é que se chama... eu só uso isso para lavar as meias... bem, lava-conas, suponho, he he he."
3. Brutal projecto neo-barroco com paredes de 60 cm! e escadas dançantes, a última loucura depois da secção áurea. Ainda não arranjei máquina fotográfica, mas para terem uma idéia é uma escada circular em que, em planta, todos os degraus têm ângulos diferentes, e logo parece que "dança" - pelo menos é muito mais elegante que uma escada normal.
4. Ah, estes hambúrgueres suculentos...
5. Espero que a TAP tenha bacalhau a bordo. Vou passar a consoada no avião, e o ano novo no Porto. Paciência, mas é o único modo de ver todos os zés aí da terra. Até breve.
posto pelo Alexandre às 04:21 1 comentários
2 de dezembro de 2005
ode 'a carne
A qualidade de um hamburger, juram-me, depende da proporcao entre a carne e o pao. Mas aqui a seccao aurea, ou proporcao divina, assume outro significado: quanto mais desproporcionada a relacao entre um e outro melhor. Ontem fui comer a um desses "best burgers in town", recomendado por um colega. E' quase pornografico, e dificil. Deviam ter um livro de instrucoes para comer a coisa - um cilindro de carne picada, com 4 polegada de diametro e 1-1/2 polegadas de espessura. Rodeado por duas rodelitas de pao tao pequenas que quase pediam licenca para estar ali, tipo folha de parreira a tapar as carnes de Adao.
UUUUUUUHHHHHHHHFFFFF
Nisto eles sao mesmo bons.
E hoje estou muito feliz, porque finalmente encontrei um supermercado normal (que nem e' de luxo nem esta todo porco e cheio de velhos a comprar garrafoes de molho para saladas).
posto pelo Alexandre às 20:30 2 comentários
1 de dezembro de 2005
Ok, agora coisas mais sérias
Passo os dias a resolver puzzles. Uma casa enorme, digamos 1000m2 em dois pisos, para uma família. Qualquer coisa de barroco (ou assim dizem, mas ninguém tem tomates para fazer nada do género. Pelo menos é um bocadinho menos politicamente correcto do que os projectos habituais). O meu melhor amigo tornou-se o meu proportional divider, um aparelho que tenho que fotografar rapidamente. É uma espécie de compasso para medir proporções: assim, pego nos desenhos que me chegam às mãos e descubro todas as secções áureas... se isto parece um discurso surreal é porque acho que já ninguém faz projectos assim, mas aqui a golden section reina soberana.
Depois, cada quarto é simétrico, tanto quanto possível, e cada porta dá para outro quarto que, embora disposto de outra maneira e com dimensões e formas diferentes, é igualmente simétrico. Ou seja, a mesma porta tem que fazer sentido geometricamente em espaços diferentes, e no fim tudo em números redondos para se poder construir - e não esquecer, nada de sistemas decimais mariquinhas, tudo em fracções, e quando se tem dez divisões todas ligadas umas às outras... É um orgasmo mental, e eu adoro o meu trabalho.
posto pelo Alexandre às 05:19 2 comentários
uma idéia

ponham as vossas fronhas no blog. Isso ajudava a perceber alguma coisa, ou pelo menos era simplesmente interessante. A idéia, realmente, foi inspirada por esta menina, e se não escrevem histórias perversas sobre os vossos amigos e colegas de trabalho, não há mal nenhum. Aqui fica a minha contribuição.
posto pelo Alexandre às 04:49 2 comentários
29 de novembro de 2005
e já agora
Uns updates:
o arquichatos, que já tinha linkado há algum tempo,
o columbia lectures, que mais tarde ou mais cedo conhecerei porque estuda ao lado da minha casa e o que mais não falta por aqui são estudantes de arquitectura da Columbia,
[obrigado]
e
eliminei o defunto Jaquinzinhos, por uma questão de espaço. Paciência.
posto pelo Alexandre às 04:47 1 comentários
aí vai

Já sei que há um bom bocado que não dou uma para a caixa... Patrões confusos, correrias nocturnas, burocracias da Ordem dos Arquitectos, miúdas fogosas, galerias de arte e filmes na MTV tomam o seu tempo. Mas finalmente deu para desopilar e pôr esta foto (tirada pela menina, que ainda não ganhei para a minha), do túmulo do general Grant, mesmo ao lado da residência; é uma espécie de cubo+cilindro+cone, em estilo neogrego americano.
posto pelo Alexandre às 04:26 0 comentários
22 de novembro de 2005
estes gajos te^m uma piada
Almocam todos separados, e quando se juntam nao sao capazes de simplesmente dizer o que pensam uns dos outros (mas fazem-no copiosamente quando os outros nao estao presentes). Adoram defender a reciclagem, mas sao incapazes de prescindir do tabuleiro de folha de aluminio com tampa e talheres de plastico para comerem sozinhos em casa. Nao falam durante a semana, mas sexta ao fim do dia, depois da sexta cerveja, sao todos amigos.
E depois, angustiados com o facto de se acharem individualistas (hmmmm...), sentem uma comichao interior que os leva a criar todo o tipo de comites, comunidades, grupos de trabalho, clubes, caridades, ong's, fundacoes, you name it. Que, nao obstante os mais elevados objectivos, funcionam tal e qual como veiculos de autopromocao para os patronos, de sucking-up para os que la trabalham, e de generalizada inutilidade para todos os restantes. Mas a diferenca e' que por aqui esses restantes (como eu) nao tem que lhes pagar o salario, como na Europa. Como diz a S.N.I., "Prefiro as empresas. Ao menos e' claro que so' querem ganhar dinheiro".
Outra citacao fixe de alguem que conheco por aqui:
"Devias ir visitar o Estado X. Vale a pena, porque era uma zona muito rica. Nao tinha impostos e por isso todos os ricos iam para la morar. Agora ja nao. Daqui se depreende que os impostos geram pobreza."
posto pelo Alexandre às 19:55 2 comentários
19 de novembro de 2005
18 de novembro de 2005
ia cá pôr uma foto mega galáctica
mas esta porcaria de net wireless americana nunca mais sai da cepa torta. Assim, e como amanhã é dia de trabalho e hoje a super-namorada-internacional me deu folga, vou só aproveitar para agradecer na mesma moeda a este senhor.
O Sócio Gerente é um dos meus blogs preferidos, no prisoners taken, e escreve pouco e bem.
Muito obrigado.
posto pelo Alexandre às 05:52 1 comentários
16 de novembro de 2005
Quando as coisas correm bem
O assunto escasseia. E a preguica associada ao bem-estar geral nao leva a grandes iniciativas. Isso e' pena, por isso espero ter alguns problemas em breve para ver se espevito a coisa.
posto pelo Alexandre às 19:48 5 comentários
11 de novembro de 2005
Um pe'
sao doze polegadas. Uma polegada divide-se em 4, 8, 16 e por ai afora partes iguais. Ou seja, um pe e meio escreve-se 1'6", nao 1,5. Quem lhes desse na tromba... e tentar medir desenhos com uma regua de escalas; o terror. As escalas sao de 1/4 de polegada (mais ou menos /100) e de 3/4 de polegada (mais ou menos 1/50). Mas porque e' que estes gajos nao podem ser normais?! Acredito que para um carpinteiro seja comodo dividir tudo em quartos e oitavos, mas desenhar assim e' absurdo, ou pelo menos agora parece-me. Oh well, gotta live with it.
De manha, vou a minha casa de banho estilo balneario de piscina municipal, e depois de tomar banho preparo-me para fazer a barba. Ao meu lado, no outro lavatorio esta um asiatico nao definido, todo vestido, com um alguidar a lavar a cabeca. Com muito cuidadinho, para nao molhar a roupa. Surreal.
posto pelo Alexandre às 01:46 2 comentários
9 de novembro de 2005
mordendo a sande
em frente ao ecran do computador. Ja' me mentalizei que para estes gajos, socializar 'a hora do alomoco nao existe. Ontem ate' pedimos comida chinesa todos juntos, mas depois cada um foi para a sua secretaria. Tive que insistir para, pelo menos, me sentar num estirador desocupado no meio deles (delas, neste caso).
Vou ao supermercado. Odeio os supermercados baratos aqui- nada esta' organizado, apenas parece. O mesmo tipo de produto pode-se encontrar em seccoes diferentes. Nao sei se e' alguma "logica da desorientacao" para nos fazer comprar mais, so sei que nao gosto. E depois ha SEMPRE a puta da sala frigorifica, com a carne e o leite e a atmosfera gelada. Num desses sitios ate tem casacos 'a porta para os clientes. Mas nao lhes passa pela cabeca que nao e preciso congelar o ar para conservar os alimentos? (de qualquer maneira e tudo tao hormonado que dura muito mais tempo). A vantagem e' que uma sande custa 5$ e da para dois dias, ou duas pessoas, e nem e' ma' de todo.
posto pelo Alexandre às 19:32 0 comentários
cenas da (minha) vida americana
Um tipo entra e abraça-se ao iPod, como se fosse o filho dele, acabadinho de comprar. Depois, senta-se no estirador e começa a passar um desenho a tinta.
O instrumento de desenho mais surreal, para mim quase-arquitecto e nascido com um computador: uma borracha eléctrica. Ou máquina de apagar; é uma espécie de broca do dentista com um tubo de borracha na ponta, para apagar desenhos muito depressa, e o ruído é quase o mesmo.
Na Segurança Social, tenho que esperar meia hora numa bicha para tirar uma senha, que me dá o número pelo qual sou chamado para tratar da papelada. Ou seja, um número de Segurança Social, um miserável número porque nem sequer tenho que pagar nada aqui mas é obrigatório ter para abrir uma conta no banco. Enquanto espero na bicha (bicha!), a multidão desopila: estes tipos não fazem nada, estão para ali sentados o dia todo a atender telefonemas. Quando arranjo o número e me sento, espero mais uma hora e tenho que ouvir um brother explicar a outro que para se perceber a Bíblia tem que se ler a versão original em aramaico, porque "uma Bíblia em russo tem um significado completamente diferente de uma em inglês".
Ir ao Bronx e encontrar as árvores com as cores mais incríveis num parque bestial.
Ir ao 42º andar da MTV em Times Square ver um filme. Incrível, e espero pôr aqui fotos da vista para meter nojo.
Não se pode fumar em lado nenhum, mas na minha antiga sala está uma máquina de "cópias azuis", ou blueprints, que funciona a amoníaco e quando se liga enche a atmosfera fechada de um cheiro horripilante (isto é proibido na Europa).
posto pelo Alexandre às 03:43 2 comentários
7 de novembro de 2005
speaking of which
Ontem à noite, festa no bar búlgaro, um daqueles sítios aqui da terra que se orgulha de não ter ar condicionado. Era o festival de música cigana, cheio de gente estranha, tipos com ar mafioso à mistura com jovens universitários. Duas televisões com imagens vídeo da candid-camera - não é mesmo nada uma nova trend, é só orgulhosamente foleiro, mas a música valia a pena. Outro sítio interessante foi o bar onde fomos para os copos de sexta à tarde com o escritório; uma cave com bancos de jardim e uma vista pseudo-naif dos Alpes pintada ao longo de toda a parede, ovelhas e tudo. (afinal o mau gosto também impera por aqui). Melhor só o pizza al parco, um restaurante em Roma cujo chão era feito de relva artificial, com ursos empalhados e os incontornáveis bancos de parque.
Não ter tempo tem a sua piada. Hoje, domingo, acordaram-me às onze da manhã (foram ao meu quarto) para correr. Corremos quinze minutos, enquanto o resto da cidade corria as três horas e meia de maratona (não vimos). Daqui a pouco tenho que ir buscar a roupa, e já me estão a chatear para ir ter a outra mesa; até amanhã.
posto pelo Alexandre às 00:59 2 comentários
4 de novembro de 2005
correr
é o único tempo para pensar. Desde que cheguei, sou bombardeado diariamente com informação nova: conhecer gente na residência, no metro, no trabalho; festas desgovernadas; comida mexicana a sair-me pelos olhos, e este cheiro insuportável a pipoca requentada com manteiga que atravessa a sala com wireless. Estes gajos gostam mesmo de coisas industriais, mas pelo menos apareceu aqui a búlgara para me alegrar a vista.
(até já).
posto pelo Alexandre às 04:11 1 comentários
3 de novembro de 2005
2 de novembro de 2005
é mesmo pena
que não possa contar as histórias do escritório por aqui. Mas já há algumas, e foi só o primeiro dia. Basta dizer que os personagens não ficam muito atrás dos ingleses e italianos...
e ontem foi o desfile do Halloween, fotos a seguir.
posto pelo Alexandre às 03:51 0 comentários




























